Preparando o almoço com o que se tem na geladeira. Com vinho, sempre!

Mesmo sendo domingo, acordei cedo porque gosto, e pensei no que preparar para o almoço.
Abri o freezer e decidi descongelar uns filés de frango, sem saber ao certo o que faria.
Bem, eu sou assim, só consigo fazer bem feito quando tenho inspiração. Sou do tipo Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa, quando disse: “Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la”. Essa sou eu!
Enfim, na hora do almoço, vasculhei a despensa, geladeira, e decidi que faria um arroz com frango. Na verdade, como só tinha arroz arbório, aquele apropriado para risotos, meu arroz se tornaria humildemente um risoto.
Primeiramente, pus para ferver água com alecrim, tomilho, manjericão, louro e alho.
Enquanto isso, cortei o frango em cubinhos e o refoguei com cebola roxa, alho, sal grosso temperado e azeite.
Quando estava fritinho, reguei com o único vinho aberto que tinha na geladeira: um tinto do Rhone!!!
Essa foi a grande dúvida. Será que o vinho tinto não mataria meu frango?!
Bem, fui em frente e, quando o frango estava pronto, retirei-o da panela e deixei apenas o caldinho e alguns cubinhos.
Joguei o arroz, refoguei e, na primeira refoga, reguei com o resto do vinho tinto.
Nas próximas vezes, reguei com o caldo e coloquei uma colher bem generosa de manteiga.
Bem, esse foi nosso almoço.
Pensando na harmonização, embora fosse um frango, tinha a influência do vinho tinto e das ervas, escolhi um rosé mais estruturado, elaborado em Bordeaux.
Com uma saladinha verde e tomates sweet, posso dizer que ficou perfeito, modéstia à parte.
Não gastei um centavo, pois usei tudo que tinha em casa, inclusive as ervas do meu quintal.
Comer bem é uma das melhores coisas do mundo e não necessariamente precisa ser caro.

Espero que tenham entendido a receita. Se tiverem dúvidas, é só perguntar. Estou por aqui, degustando a vida e tentando mostrar, com humildade, que fazendo da forma mais simples pode ser também a forma mais saborosa!
Vou incluir essa receita em meus menus. Ficou sensacional!

Saúde!

Aqui, o poema de Fernando Pessoa, através de seu heterônimo, Alberto Caeiro.

Guardador de Rebanhos

Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.

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