O vinho, a falsa santidade e a prudência covarde

hafiz
“Em seu ensaio sobre poesia persa, Emerson elogia com as seguintes palavras o grande poeta Hafiz, um viciado em vinho:

Hafiz louva o vinho, as rosas, as donzelas, os meninos, os pássaros, as manhãs e a música, para dar expansão ao seu imenso júbilo e simpatia por todas as formas de beleza e alegria; e enfatiza tudo isso para mostrar seu desprezo pela falsa santidade e prudência covarde.

É contra a falsa santidade e a prudência covarde que se dirige grande parte da minha discussão, não a fim de incentivar o vício, mas para mostrar que vinho é compatível com a Virtude.

O modo certo de viver é desfrutando as nossas faculdades, lutando para gostar dos nossos próximos e se possível amá-los, e aceitar que a morte é necessária em si mesma e também um alívio abençoado para aqueles a quem de outra forma iríamos sobrecarregar.

Em minha opinião, os fanáticos por saúde, que têm envenenado todos os prazeres naturais, devem ser reunidos e trancafiados juntos num lugar onde se possam entediar mutuamente, empanturrando-se com suas inúteis panaceias para a vida eterna.

Quanto a nós, devemos viver nossos dias numa sucessão de banquetes que tenham como catalisador o vinho, como meio a conversa e como objetivo uma aceitação serena do destino.”

(Extraído do livro bebo, logo existo – guia de um filósofo para o vinho, de Roger Scruton)

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