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Hoje é Dia da Somellière e do Sommelier

Quem vê apenas os goles que tomamos muitas vezes não vê os tombos que levamos!

Embora tenha um certo glamour, garanto que a profissão de
Sommelière ou Sommelier tem muitos perrengues e demanda muita dedicação, estudo, força de vontade e bom senso.
Afinal, de nada vale conhecer muito e ser antipático ou arrogante e, assim, afastar o cliente; por outro lado, ser apenas simpático, não vai ajudar muito.
É saber ser técnico e sensível ao mesmo tempo.
Enfim, é uma ARTE!
Que essa linda profissão se solidifique cada dia mais, com pessoas competentes, sensíveis e, acima de tudo, simpáticas e esforçadas.
Precisamos disso para aproximar cada vez mais o vinho das pessoas.
Parabéns aos meus colegas pelo nosso dia!
Saúde!!!

Hoje, 29 de Agosto, é o dia Nacional da Sommelière e do Sommelier.

Mas, afinal, quem é esse profissional?

Muitas pessoas confundem o Sommelier com o Enólogo e com o Enófilo.
Só para ilustrar de forma rápida, o Sommelier e o profissional que atende nos restaurantes, supermercados, empórios, eventos, etc, indicando o vinho apropriado para a ocasião e o bolso do cliente.

O Enólogo é o profissional que faz o vinho, que o idealiza, pensa e escolhe o momento certo da colheita da uva e se o vinho passará por madeira ou não.

O enófilo é o apreciador de vinhos.

Foto: Gladstone Campos

 

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A Procura, Cora Coralina

Andei pelos caminhos da vida.
Caminhei pelas ruas do destino-
procurando meu signo.

Bati na porta da Fortuna,
mandou dizer que não estava.

Bati na porta da Fama,
falou que não podia atender.

Procurei a casa da Felicidade,
a vizinha da frente me informou que
ela tinha se mudado sem deixar novo endereço.

Procurei a morada da Fortaleza
Ela me fez entrar:

deu-me veste nova, perfumou meus cabelos…
fez-me beber de vinho.

Acertei o meu caminho.

Cora Coralina

O Erotismo da Comida, segundo Isabel Allende

“(…) É assim que recordo os homens que passaram pela minha vida – não quero me gabar, não foram muitos -, uns pela textura da pele, outros pelo sabor dos beijos, o cheiro das roupas ou o tom dos murmúrios, quase todos eles associados a um alimento especial.
O prazer carnal mais intenso, gozado sem pressa em uma cama desarrumada e clandestina, combinação perfeita de carícias, riso e jogos da mente, tem gosto de baguette, prosciutto, queijo francês e vinho do Reno.
Por meio de qualquer um destes tesouros da cozinha surge diante de mim um homem em particular, um antigo amante que volta sempre, como fantasma querido, para lançar uma luz maliciosa na minha idade madura.
Esse pão com presunto e queijo me devolve o cheiro de nossos abraços e esse vinho alemão, o sabor de sua boca.
Não consigo separar o erotismo da comida e não vejo razão para fazê-lo; ao contrário, pretendo continuar desfrutando de ambos enquanto tiver forças e bom humor.”

Trecho do livro “Afrodite – um livro de amores, aromas e sabores” de Isabel Allende.

Sobre a beleza de cada dia

Sou uma mulher que tem fome de alma.
Amo a magia que está nas pequenas coisas: cozinhar, tomar uma taça de vinho, ler um livro, contemplar um quadro, um lugar, uma música, curtir um bom papo, um encontro, enfim, amo o belo que se encontra _ às vezes camuflado _ em cada momento.

Nesses tempos amargos, de tanta sacanagem, denúncias, injustiças, desconfianças e competições, reproduzo aqui um texto que li e que me alimenta.

Alimenta porque expressa o que acredito: que o melhor momento é aquele que nos dispomos a vivê-lo.
O melhor momento, é o que a vida nos oferece hoje: o bom dia do carteiro, o sorriso do mendigo grato,  as coincidências que insistem em acontecer, apesar da nossa falta de fé.

Não idealize, não espere, apenas viva a sua vida com as melhores coisas que você tem hoje pois, acredito, no final, você terá muitas lindas histórias para contar. E isso é o que vai importar!

“Preparei a lareira perfeita para nós.
O fogo vai durar a noite inteira _ suficiente para todas as nossas “histórias dentro de histórias”.
Um momentinho só, enquanto termino de lavar a mesa com menta fresca.
Pronto, vamos usar a 
louça bonita.
Vamos beber o que estávamos reservando para “uma ocasião especial”.
Sem dúvida, “uma ocasião especial” é qualquer ocasião à qual a alma esteja presente.
Você já percebeu?
“Reservar” para outra hora é o jeito que o ego tem de dizer, rabugento, que não acredita que a alma mereça prazer no dia-a-dia.

Mas ela merece, de verdade. A alma sem dúvida merece.”
      A Ciranda das Mulheres Sábias, Clarissa Pinkola Estes

Não só vinho, mas nele o olvido, deito

Não só vinho, mas nele o olvido, deito

Na taça: serei ledo, porque a dita

É ignara. Quem, lembrando

Ou prevendo, sorrira?

Dos brutos, não a vida, senão a alma,

Consigamos, pensando; recolhidos

No impalpável destino

Que não espera nem lembra.

Com mão mortal elevo à mortal boca

Em frágil taça o passageiro vinho,

Baços os olhos feitos

Para deixar de ver.

 

13-6-1926

Odes de Ricardo Reis (heterônimo de Fernando Pessoa)

A festa anual do vinho, uma fábula de Esopo

grape harvest 1890 - Padre Art
A Festa Anual do Vinho Na Itália, numa das aldeias das montanhas, os camponeses tinham o hábito de anualmente fazer da colheita uma festa.
Esta festa era esperada com muita ansiedade por todos, comemorada com tudo o que tinham direito na época e comentada ao longo do ano.
Para essa festa, cada morador da aldeia contribuía com uma garrafa de vinho de sua fabricação, e as despejavam num grande barril na praça central da aldeia.
O ponto alto da festa era a abertura desse barril, solenidade que atraia gente de todos os lugares que vinham degustar o famoso vinho, resultado do somatório de muitas garrafas de vinho selecionado.
Um dos moradores que há muitos anos participava do ritual pensou: “Por que vou levar meu melhor vinho? Vou levar é uma garrafa de água, e no meio de tanto vinho, ninguém perceberá…”
Quando chegou sua vez de despejar a garrafa de “vinho”, o fez de forma disfarçada para que os outros não percebessem.
No momento culminante da festa, quando da abertura do barril, todos estavam lá com suas canecas, prontos para saborear o famoso vinho.
Qual não foi a surpresa, na abertura da grande torneira, quando dela só saia água… – Eram litros e litros de pura água… – Porque todos os moradores tinham pensado a mesma coisa: –
“- Por que vou levar meu MELHOR vinho? – QUEM VAI SE DAR CONTA?”

Ilustração: Grape Harvest 1890, Padre Art

Hoje, 30 de Janeiro, é o Dia Nacional da Saudade

Dizem que a palavra saudade foi cunhada na época dos descobrimentos portugueses e do Brasil Colônia, quando esteve muito presente para definir a solidão dos portugueses numa terra estranha, longe de entes queridos.
Define, pois, a melancolia causada pela lembrança; a mágoa que se sente pela ausência ou desaparecimento de pessoas, coisas, estados ou ações.
Ok,mas o que isso tem a ver com vinho?
Acho que tudo! Pois o vinho muitas vezes é o aconchego que precisamos quando estamos saudosos, é o amigo que nos abraça quando estamos com o coração partido e é companhia nos momentos de reflexão.
Salve, então, o dia da Saudade.
Afinal, só quem viveu algo que valeu a pena, é capaz de sentir saudade do que foi vivido!
Saúde!

saudade