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A vida do vinho

van gogh
“Gosto de pensar na vida do vinho, em como é algo vivo.
Gosto de pensar no que se passou quando as uvas cresciam, em como o sol brilhava ou se choveu… Como o tempo estava.
Eu penso sobre todas aquelas pessoas que cultivaram e colheram as uvas, e se for um vinho antigo, quantas delas já devem estar mortas hoje.
Eu amo a forma como o vinho continua a evoluir. Como, em toda vez que uma garrafa for aberta, ele terá um sabor diferente do que se fosse aberta em qualquer outro dia.
Porque na verdade uma garrafa de vinho está viva, está constantemente evoluindo e ganhando complexidade até atingir seu auge… E então começa seu contínuo e inevitável declínio.
E tem um gosto bom demais…”

Extraído do filme Sideways – entre umas e outras, dirigido por Alexander Payne.

Adoro ler citações sobre vinhos… Essa é uma cena do filme Sideways, em que a personagem Maya, interpretado por Virginia Madsen, fala o que pensa sobre o vinho.
Concordo plenamente!!!

Ilustração: A Vinha Encarnada, de Van Gogh, 1888, óleo sobre tela. Museu Pushkin.

O ímpeto de crescer e viver intensamente, Anaïs Nin

p15 vinho
” O ímpeto de crescer e viver intensamente foi tão forte em mim que não consegui resistir a ele. 

Enfrentei meus sentimentos. 
A vida não é racional; é louca e cheia de mágoa. 
Mas não quero viver comigo mesma. 
Quero paixão, prazer, barulho, bebedeira, e todo o mal. 
Quero ouvir música rouca, ver rostos, roçar em corpos, beber um Benedictine ardente. 
Quero conhecer pessoas perversas, ser íntimas delas. 
Quero morder a vida, e ser despedaçada por ela. 
Eu estava esperando. 
Está é a hora da expansão, do viver verdadeiro. 
Todo o resto foi uma preparação. 
A verdade é que sou inconstante, com estímulos sensuais em muitas direções. 
Fiquei docemente adormecida por alguns séculos, e entrei em erupção sem avisar.”

Anaïs Nin

Filosofando com Francis Mallmann

francis mallmann
“Arte é um pensamento intelectual, e comida e vinho têm mais a ver com os sentidos e a partilha. 
Comida e vinho fazem-nos mais aguçados, espirituosos. 
Só aí podem estimular nossos pensamentos e melhorar nossa comunhão com colegas, amigos, amantes. 
Certamente a cozinha pode ser intelectual, mas deveria sê-lo de modo mais silencioso e –atrevo-me a dizer – humilde.”

Francis Mallmann

Château Mouton Rothschild e a Arte

Poucas vinícolas tem uma ligação tão forte com a arte quanto o Château Mouton-Rothschild.
Caminhando pela propriedade, você encontrará uma das mais exclusivas coleções de arte do planeta; com obras de Miró, Picasso, Dalí, Chagall entre outros.

O Château Mouton-Rothschild é uma tradicional vinícola da região de Médoc, França, localizado na comuna de Pauillac que produz um dos mais prestigiados vinhos de Bordeaux e do mundo.

Mouton

Até 1924 o vinho produzido era vendido para os comerciantes em Bordeaux, que eram responsáveis por todo o restante do processo de produção: maturação, engarrafamento, rótulagem e comercialização. Essa era uma prática comum, e as vinícolas não tinham nenhum direito sobre o produto final.
Em 1924, o Barão Philippe de Rothschild tomou uma decisão revolucinária naquele tempo: ser responsável por todo o processo.
Nesse ano, o artista plástico Jean Carlu foi convidado a ilustrar o rótulo.

EMRothschild1924

A partir daí, o rótulo passou a ter uma importância maior e se tornou uma marca registrada do produto, a garantia de origem e qualidade, como uma assinatura da vinícola.

Em 1945, ano da Libertação da França _ fim da ocupação militar alemã _, Barão Philippe decidiu dedicar a safra, uma das melhores do século, ao Ano da Vitória, convidando o pintor Philippe Jullian para produzir um design para o rótulo, usando a letra “V”, de vitória.

1945

Após 1945, todos os anos, os rótulos são encomendados à artistas plásticos, que têm completa liberdade de criação. Alguns famosos: Miró, Chagall, Braque, Picasso, Tàpies, Francis Bacon, Dali, Balthus, Jeff Koons e até o Príncipe Charles, de Gales.

rotulos

Clique AQUI e veja os detalhes de cada rótulo

Mouton-Rothschild tem uma ligação tão intensa com a arte, que construiu o Museum of Wine in Art, um lugar mágico onde vários artistas e formas de arte, cultura e religiões testemunham o eterno e frutífero diálogo entre arte e vinho.
Situado em uma antiga sala de barricas, o visitante tem acesso à esculturas, peças medievais, porcelanas e antiguidades variadas, todas com alguma relação ao mundo do vinho.

Para saber mais, entre no site: http://www.chateau-mouton-rothschild.com/

“Pois sou um bom cozinheiro”: Vinícius, poesia e receitas

A Livraria Mundo Gourmet abriu sua programação “Sabores nos Livros” ontem, dia 23/09/2013, com a apresentação do livro “Pois sou um bom cozinheiro – Receitas, histórias e sabores da vida de Vinicius de Moraes”.
Foi uma delícia ouvir Daniela Narciso, curadora da obra contar um pouco como o livro foi feito e ouvir a escritora Ana Rusche nos presentear com alguns trechos do livro.

A obra foi idealizada pela filha de Vinicius, Luciana de Moraes (1956-2011), ao tentar reproduzir as ceias de Natal na casa dos avós paternos.
Depois da morte de Luciana, Edith Gonçalves, 57, sua companheira por 23 anos, assumiu o projeto ao lado de Daniela Narciso.

Foram dois anos de pesquisas e entrevistas com familiares de Vinícius, escolha das principais receitas e sua elaboração por vários chefes famosos como Alex Atala e Claude Troisgros.
Esse lançamento faz parte das comemorações do centenário do nascimento do poeta, em 19 de outubro de 1913.

“Sabores nos Livros” é uma mistura de biografia, receitas e poesias.
No livro existem sugestão de harmonização dos pratos com várias bebidas, entre elas, a minha preferida: o vinho, que tenho certeza, harmonizaria com todas!!!

Aprecie sem moderação!

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Noite na Taverna, Álvares de Azevedo – vinhos e causos

391px-Álvares_de_AzevedoÁlvares de Azevedo, foi um escritor romântico,contista e poeta. Nasceu em São Paulo, em 12 de setembro de 1831 e morreu com apenas 21 anos.
Faz parte dos poetas que deixaram em segundo plano, os temas nacionalistas e indianistas, usados na primeira geração romântica, e mergulharam fundo em seu mundo interior. Seus poemas falam constantemente do tédio da vida, das frustrações amorosas e do sentimento de morte. A figura da mulher aparece em seus versos, ora como um anjo, ora como um ser fatal, mas sempre inacessível. Álvares de Azevedo é Patrono da cadeira nº 2, da Academia Brasileira de Letras.

 

 

 

Seu livro Noite na Taverna, escrito em 1878, proporciona ao leitor uma viagem ao mundo fantástico da melancolia e morbidez que caracterizam a época em que viveu Álvares de Azevedo.
Numa taverna, um grupo de conhecidos reúne-se para espantar o tédio com o vinho nos lábios e contos macabros afluindo da mente.
Eis aqui um trecho:

             

noite-taverna

                                                 Uma noite do século

Silencio, moços! Acabei com essas cantilenas horríveis! Não vedes que as mulheres dormem ébrias, macilentas como defuntos? Não sentis que o sono da embriaguez pesa negro naquelas pálpebras onde a beleza sigilou os olhares da volúpia?

— Cala-te Johann! Enquanto as mulheres dormem e Arnold-o-louro cambaleia e adormece murmurando as canções de orgia de Tiech, que música mais bela que o alarido da saturnal? Quando as nuvens correm negras no céu como um bando de corvos errantes, e a lua desmaia como a luz de uma lâmpada sobre a alvura de uma beleza que dorme, que melhor noite que a passada ao reflexo das taças?

— És um louco, Bertran! Não é a lua que lá vai macilenta: é o relâmpago que passa e ri de escárnio às agonias do povo que morre… aos soluços que seguem as mortualhas da cólera!

— Oh cólera! E que importa? Não há pôr ora vida bastante nas veias do homem? Não borbulha a febre ainda às ondas do vinho? Não reduz em todo o seu fogo a lâmpada da vida na lanterna do crânio?

— Vinho! Vinho! Não vês que as taças estão vazias e bebemos o vácuo, como um sonâmbulo?

— É o fetichismo na embriaguez! Espiritualista, bebe a imaterialidade da embriaguez!

— Oh! Vazio! Meu copo está vazio! Olá, taverneira, não vês que as garrafas estão esgotadas? Não sabes, desgraçada, que os lábios da garrafa são como os da mulher: só valem beijos enquanto o fogo do vinho ou o fogo do amor os borrifa de lava?

— O vinho acabou-se nos copos, Bertran, mas o fumo ondula ainda nos cachimbos! Após dos vapores do vinho os vapores da fumaça! Senhores, em nome de todas as nossas reminiscências, de todos os nossos sonhos que mentiram, de todas as nossas esperanças que desbotaram, uma última saúde! A taverneira aí nos trouxe mais vinho: uma saúde! O fumo é a imagem doidealismo, é o transunto de tudo quanto há mais vaporoso naquele espiritualismo que nos fala da imortalidade da alma! e pois, ao fumo das Antilhas, à imortalidade da alma!

— Bravo! Bravo!

Um urra! tríplice respondeu ao moço meio ébrio.

Um conviva se ergueu entre a vozeria: contrastava-lhe com as faces de moço as rugas da fronte e a rouxidão dos lábios convulsos. Por entre os cabelos prateava-se-lhe o reflexo das luzes do festim. Falou:

— Calai-vos, malditos ! A imortalidade da Alma!? Pobres doidos! E por que a alma é bela, por que não concebeis que esse ideal possa tornar-se em lodo e podridão, como as faces belas da virgem morta, não podeis crer que ele morra? Doidos! Nunca velada levastes por ventura uma noite à cabeceira de um cadáver? E então não duvidastes que ele não era morto, que aquele peito e aquela fronte iam palpitar de novo, aquelas pálpebras iam abrir-se, que era apenas o ópio do sono que emudecia aquele homem? Imortalidade da alma! E porque também não sonhar a das flores, a das brisas, a dos perfumes? Oh! Não mil vezes! a alma não é, como a lua, sempre moça, nua e bela em sua virgindade eterna! A vida não é mais que a reunião ao acaso das moléculas atraídas: o que era um corpo de mulher vai porventura transformar-se num cipreste ou numa nuvem de miasmas; o que era um corpo de verme vai alvejar-se no cálice da flor ou na fronte da criança mais loura e bela. Como Schiller o disse, o átomo da inteligência de Platão foi talvez para o coração de um ser impuro. Por isso eu vo-lo direi: se entendeis a imortalidade pela metempsicose, bem ! talvez eu a creia um pouco, pelo platonismo, não!

— Solfieri! És um insensato! O materialismo é árido como o deserto, é escuro como o túmulo! A nós frontes queimadas pelo mormaço do sol da vida, a nós sobre cuja cabeça a velhice regelou os cabelos, essas crenças frias? A nós os sonhos do espiritualismo.

D.H. Lawrence, o vinho e seu romance mais famoso

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“Apesar de nosso dia pálido estar afundando em escuridão, quando tomamos vinho  nossos sonhos renascem e vencem a noite iminente.”       D. H. Lawrence

O escritor D. H. Lawrence nasceu em Nottingham em  11 de Setembro de 1885.
Lawrence escreve de forma tão meditativa e envolvente, que ler suas obras é uma experiência sensorial.
Nada melhor do que uma taça de vinho para acompanhar sua densa e emocional narrativa.

Lawrence e seu romance mais famoso: Lady Chatterley’s Lover

                                   
Uma de suas mais conhecidas obras, e a minha predileta, O Amante de Lady Chatterley narra a história de Constance Chatterley, uma garota criada numa família burguesa e liberal, que poucos meses após seu casamento, vê seu marido Clifford partir rumo à guerra.

O homem que ela recebe de volta está paralisado da cintura para baixo, e eles se recolhem na vasta propriedade rural dos Chatterley.
Inteiramente devotado à sua carreira literária e depois aos negócios da família, Clifford vai aos poucos se distanciando da mulher.
Cercada de todo conforto, mas isolada e cheia de carências, Constance se deprime e sofre profundamente até conhecer Oliver Mellors, um rude caçador.
Constance e Oliver se envolvem em um tórrido romance e esse relacionamento trás de volta sua alegria de viver, a liberdade e a delícia de amar e ser amada integralmente.
D.H. Lawrence tem o talento de narrar com delicadeza e erotismo o resgate de Constance de seu lado mulher, de sua libido e de sua libertação.
Esse é um dos romances mais lindos que li.

Aqui um trecho do livro:

“Constance parecia transformada em mar, ondas que se inchavam e subiam em surtos impetuosos até que, lentamente, toda a massa obscura entrasse em ação – oceano a palpitar sua sombria massa silenciosa. E lá embaixo, no fundo dela, as profundezas do mar se separavam e rolavam lado a lado com o centro onde o mergulhador imergia docemente mais fundo; e ela se sentia alcançada cada vez mais no fundo, e as ondas de si mesma iam rolando para alguma praia, deixando-a descoberta; e cada vez para mais longe rolavam, e a abandonavam, até que, de súbito, numa delicada convulsão, o mais vivo do seu espasmo foi alcançado; ela o sentiu alcançado – e tudo se consumou: seu “eu” esvaiu-se; Constance não era mais Constance, e sim apenas mulher.”

Essa novela foi filmada duas vezes, uma em 1993 e outra em 2006. Veja o trailler da versão mais atual.

D.H. Lawrence escreveu também um lindo poema sobre vinhos, mas que infelizmente não encontrei tradução, e não me sinto apta a fazer isso aqui.  Então vou postar a versão em inglês:

Grapes

SO many fruits come from roses
From the rose of all roses
From the unfolded rose
Rose of all the world.

Admit that apples and strawberries and peaches and pears
and blackberries
Are all Rosaceae,
Issue of the explicit rose,
The open-countenanced, skyward-smiling rose.

What then of the vine?
Oh, what of the tendrilled vine?

Ours is the universe of the unfolded rose,
The explicit,
The candid revelation.

But long ago, oh, long ago
Before the rose began to simper supreme,
Before the rose of all roses, rose of all the world, was even
in bud,
Before the glaciers were gathered up in a bunch out of the
unsettled seas and winds,
Or else before they had been let down again, in Noah’s flood,
There was another world, a dusky, flowerless, tendrilled
world
And creatures webbed and marshy,
And on the margin, men soft-footed and pristine,
Still, and sensitive, and active,
Audile, tactile sensitiveness as of a tendril which orientates
and reaches out,
Reaching out and grasping by an instinct more delicate than
the moon’s as she feels for the tides.

Of which world, the vine was the invisible rose,
Before petals spread, before colour made its disturbance,
before eyes saw too much.

In a green, muddy, web-foot, unutterably songless world
The vine was rose of all roses.

There were no poppies or carnations,
Hardly a greenish lily, watery faint.
Green, dim, invisible flourishing of vines
Royally gesticulate.

Look now even now, how it keeps its power of invisibility!
Look how black, how blue-black, how globed in Egyptian
darkness
Dropping among his leaves, hangs the dark grape!
See him there, the swart, so palpably invisible:
Whom shall we ask about him?

The negro might know a little.
When the vine was rose, Gods were dark-skinned.
Bacchus is a dream’s dream.
Once God was all negroid, as now he is fair.
But it’s so long ago, the ancient Bushman has forgotten more
utterly than we, who have never known.

For we are on the brink of re-remembrance.
Which, I suppose, is why America has gone dry.
Our pale day is sinking into twilight,
And if we sip the wine, we find dreams coming upon us
Out of the imminent night.
Nay, we find ourselves crossing the fern-scented frontiers
Of the world before the floods, where man was dark and evasive
And the tiny vine-flower rose of all roses, perfumed,
And all in naked communion communicating as now our
clothed vision can never communicate.
Vistas, down dark avenues
As we sip the wine.

The grape is swart, the avenues dusky and tendrilled, subtly
prehensile.
But we, as we start awake, clutch at our vistas democratic,
boulevards, tram-cars, policemen.
Give us our own back
Let us go to the soda-fountain, to get sober.

Soberness, sobriety.
It is like the agonised perverseness of a child heavy with
sleep, yet fighting, fighting to keep awake;
Soberness, sobriety, with heavy eyes propped open.

Dusky are the avenues of wine,
And we must cross the frontiers, though we will not,
Of the lost, fern-scented world:
Take the fern-seed on our lips,
Close the eyes, and go
Down the tendrilled avenues of wine and the otherworld.

French Kiss, um filme para Wine Lovers!

french kiss
Quem se lembra desse filme?
Fazia tempo que estava com vontade de assisti-lo novamente e hoje consegui.
Trata-se de uma comédia romântica de 1995, estrelada por Meg Ryan e Kevin Kline e dirigida por Lawrence Kasdan.

Além do romance, o filme mostra paisagens de vinhedos, vinhos e aromas.

Tem um diálogo legal entre Kate (Meg Ryan), uma americana que não sabe nada sobre vinhos e Luc (Kevin Kline), que foi criado em meio aos vinhedos franceses:

Luc: First, you must take some wine. Can you describe it, the taste?

Kate: It’s a nice red wine.

Luc: I think you can do better.

Kate: A bold wine with a hint of sophistication and lacking in pretension.
Actually, I was just talking about myself.

Luc: You are not wrong. Wine is like people. The vine takes all the influences in life all around it. It absorbs them and it gets its personality.

O vinho, a falsa santidade e a prudência covarde

hafiz
“Em seu ensaio sobre poesia persa, Emerson elogia com as seguintes palavras o grande poeta Hafiz, um viciado em vinho:

Hafiz louva o vinho, as rosas, as donzelas, os meninos, os pássaros, as manhãs e a música, para dar expansão ao seu imenso júbilo e simpatia por todas as formas de beleza e alegria; e enfatiza tudo isso para mostrar seu desprezo pela falsa santidade e prudência covarde.

É contra a falsa santidade e a prudência covarde que se dirige grande parte da minha discussão, não a fim de incentivar o vício, mas para mostrar que vinho é compatível com a Virtude.

O modo certo de viver é desfrutando as nossas faculdades, lutando para gostar dos nossos próximos e se possível amá-los, e aceitar que a morte é necessária em si mesma e também um alívio abençoado para aqueles a quem de outra forma iríamos sobrecarregar.

Em minha opinião, os fanáticos por saúde, que têm envenenado todos os prazeres naturais, devem ser reunidos e trancafiados juntos num lugar onde se possam entediar mutuamente, empanturrando-se com suas inúteis panaceias para a vida eterna.

Quanto a nós, devemos viver nossos dias numa sucessão de banquetes que tenham como catalisador o vinho, como meio a conversa e como objetivo uma aceitação serena do destino.”

(Extraído do livro bebo, logo existo – guia de um filósofo para o vinho, de Roger Scruton)

Hedonismo

hedonismo
“Relaxe.

Chegou a hora de trabalhar menos e realizar mais, de rejeitar o comodismo e os perigos da vida estruturada e adotar a sabedoria dos antigos gregos, de quem herdamos uma palavra que define esse jeito de encarar as coisas: hedonismo.

Embora os defensores da disciplina da auto-ajuda nos digam o contrário, lazer e prazer ainda não morreram e nunca é tarde demais para o hedonista feliz que existe dentro de você vir à tona.

Permita que o desejo seja o seu guia enquanto você ousa sair de férias sem os seu laptop e o seu telefone celular.

Deixe o vinho e o sexo melhorarem a sua vida.

Ceda ao impulso secreto de não fazer absolutamente nada.”

(Extraído do livro Manual do Hedonista – Dominando a esquecida arte do prazer, de Michael Flocker)