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Sobre a beleza de cada dia

Sou uma mulher que tem fome de alma.
Amo a magia que está nas pequenas coisas: cozinhar, tomar uma taça de vinho, ler um livro, contemplar um quadro, um lugar, uma música, curtir um bom papo, um encontro, enfim, amo o belo que se encontra _ às vezes camuflado _ em cada momento.

Nesses tempos amargos, de tanta sacanagem, denúncias, injustiças, desconfianças e competições, reproduzo aqui um texto que li e que me alimenta.

Alimenta porque expressa o que acredito: que o melhor momento é aquele que nos dispomos a vivê-lo.
O melhor momento, é o que a vida nos oferece hoje: o bom dia do carteiro, o sorriso do mendigo grato,  as coincidências que insistem em acontecer, apesar da nossa falta de fé.

Não idealize, não espere, apenas viva a sua vida com as melhores coisas que você tem hoje pois, acredito, no final, você terá muitas lindas histórias para contar. E isso é o que vai importar!

“Preparei a lareira perfeita para nós.
O fogo vai durar a noite inteira _ suficiente para todas as nossas “histórias dentro de histórias”.
Um momentinho só, enquanto termino de lavar a mesa com menta fresca.
Pronto, vamos usar a 
louça bonita.
Vamos beber o que estávamos reservando para “uma ocasião especial”.
Sem dúvida, “uma ocasião especial” é qualquer ocasião à qual a alma esteja presente.
Você já percebeu?
“Reservar” para outra hora é o jeito que o ego tem de dizer, rabugento, que não acredita que a alma mereça prazer no dia-a-dia.

Mas ela merece, de verdade. A alma sem dúvida merece.”
      A Ciranda das Mulheres Sábias, Clarissa Pinkola Estes

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A festa anual do vinho, uma fábula de Esopo

grape harvest 1890 - Padre Art
A Festa Anual do Vinho Na Itália, numa das aldeias das montanhas, os camponeses tinham o hábito de anualmente fazer da colheita uma festa.
Esta festa era esperada com muita ansiedade por todos, comemorada com tudo o que tinham direito na época e comentada ao longo do ano.
Para essa festa, cada morador da aldeia contribuía com uma garrafa de vinho de sua fabricação, e as despejavam num grande barril na praça central da aldeia.
O ponto alto da festa era a abertura desse barril, solenidade que atraia gente de todos os lugares que vinham degustar o famoso vinho, resultado do somatório de muitas garrafas de vinho selecionado.
Um dos moradores que há muitos anos participava do ritual pensou: “Por que vou levar meu melhor vinho? Vou levar é uma garrafa de água, e no meio de tanto vinho, ninguém perceberá…”
Quando chegou sua vez de despejar a garrafa de “vinho”, o fez de forma disfarçada para que os outros não percebessem.
No momento culminante da festa, quando da abertura do barril, todos estavam lá com suas canecas, prontos para saborear o famoso vinho.
Qual não foi a surpresa, na abertura da grande torneira, quando dela só saia água… – Eram litros e litros de pura água… – Porque todos os moradores tinham pensado a mesma coisa: –
“- Por que vou levar meu MELHOR vinho? – QUEM VAI SE DAR CONTA?”

Ilustração: Grape Harvest 1890, Padre Art