Arquivo da tag: Poesias e Citações

“Dizem que as sementes do que seremos um dia nascem conosco, mas sempre me pareceu que aqueles que não levam a vida totalmente a sério têm as sementes cobertas por um solo generoso e bem adubado.”
Ernest Hemingway, Paris é uma festa

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Hoje é Dia do Sexo! Um brinde aos prazeres da vida!

Você sabia que hoje, dia 6/9 comemora-se o Dia do Sexo? Sabe como ele começou?
Em 2008 a empresa de preservativos Olla criou uma campanha de marketing fazendo uma brincadeira relacionando o dia 6/9, ao famoso 69!

meianove
E parece que a moda pegou pois estamos aqui, há 5 anos, comemorando esse dia!

Então, como o assunto hoje é sexo, e tudo que falo aqui tem que ter vinho no contexto, resolvi falar dessa que, para mim, é a harmonização perfeita: sexo e vinho!

“O vinho molha e tempera os espíritos e acalma as preocupações da mente…
ele reaviva as nossas alegrias e é o óleo para a chama da vida que se apaga.
Se beber moderadamente, em pequenos goles de cada vez, o vinho gotejará nos seus pulmões como o mais doce orvalho da manhã…
Assim, então, o vinho não viola a razão, mas convida-nos gentilmente a uma agradável alegria.”

Sócrates

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Como o vinho nos embriaga sem nos embebedar, ele nos liberta e assim deixamos de lado a censura e falsos moralismos …
ficamos, digamos … facinhos.
E eu acho isso muito bom! Afinal somos humanos, de carne e osso, com vontades e desejos!
Em um momento em que o trabalho e as responsabilidades dominam nossas vidas e que o tempo dedicado aos prazeres é cada vez mais curto, nada melhor do que se entregar ao que se sente mesmo e ser feliz!

Escolhi um texto, uma música e um poema, todos sobre sexo.
Espero que gostem, que os harmonizem com um delicioso vinho, champagne ou espumante e que acima de tudo degustem a vida!!!

O texto:
Nude Couple Embracing in Bed“O que realmente acontece quando um casal se move no reino da experiência orgástica? O que realmente acontece? Cada ponto precisa ser entendido. O tempo para; por um momento o pêndulo não se move, e esse único momento parece ser praticamente a eternidade. As duas pessoas não são mais duas – por um momento. Elas se fundiram uma na outra; não existe pensamento na mente, por um momento; ela está toda vazia e silenciosa, e essas são as coisas que devem ser aprofundadas em meditação.”
Osho


A música:

O poema:

sex

Noite de chuva

Amor em taça, misturado ao vinho tinto
Beijos sabor de uva
Caricias que embriagam
Corpo a corpo, suave… Seco.
Taças de carinho com vinho tinto,
Transbordando, soltando liberando,
Emoções em pequenos goles,
Embriagando-nos de desejo.
Taças de loucura mesclada ao vinho tinto,
Corpos molhados qual a chuva que cai.
Entregando-se com plenitude, em êxtase,
No ópio da insensatez… Entorpecendo a razão.

Taças com vinhos, esquecidas, viradas,
Testemunhas mudas do amor que descansa,
Balança os sentidos, a razão…
Taças de calmaria… Sem vinho… com esperança

O vinho, a falsa santidade e a prudência covarde

hafiz
“Em seu ensaio sobre poesia persa, Emerson elogia com as seguintes palavras o grande poeta Hafiz, um viciado em vinho:

Hafiz louva o vinho, as rosas, as donzelas, os meninos, os pássaros, as manhãs e a música, para dar expansão ao seu imenso júbilo e simpatia por todas as formas de beleza e alegria; e enfatiza tudo isso para mostrar seu desprezo pela falsa santidade e prudência covarde.

É contra a falsa santidade e a prudência covarde que se dirige grande parte da minha discussão, não a fim de incentivar o vício, mas para mostrar que vinho é compatível com a Virtude.

O modo certo de viver é desfrutando as nossas faculdades, lutando para gostar dos nossos próximos e se possível amá-los, e aceitar que a morte é necessária em si mesma e também um alívio abençoado para aqueles a quem de outra forma iríamos sobrecarregar.

Em minha opinião, os fanáticos por saúde, que têm envenenado todos os prazeres naturais, devem ser reunidos e trancafiados juntos num lugar onde se possam entediar mutuamente, empanturrando-se com suas inúteis panaceias para a vida eterna.

Quanto a nós, devemos viver nossos dias numa sucessão de banquetes que tenham como catalisador o vinho, como meio a conversa e como objetivo uma aceitação serena do destino.”

(Extraído do livro bebo, logo existo – guia de um filósofo para o vinho, de Roger Scruton)

Hedonismo

hedonismo
“Relaxe.

Chegou a hora de trabalhar menos e realizar mais, de rejeitar o comodismo e os perigos da vida estruturada e adotar a sabedoria dos antigos gregos, de quem herdamos uma palavra que define esse jeito de encarar as coisas: hedonismo.

Embora os defensores da disciplina da auto-ajuda nos digam o contrário, lazer e prazer ainda não morreram e nunca é tarde demais para o hedonista feliz que existe dentro de você vir à tona.

Permita que o desejo seja o seu guia enquanto você ousa sair de férias sem os seu laptop e o seu telefone celular.

Deixe o vinho e o sexo melhorarem a sua vida.

Ceda ao impulso secreto de não fazer absolutamente nada.”

(Extraído do livro Manual do Hedonista – Dominando a esquecida arte do prazer, de Michael Flocker)

Como um grande vinho, ficamos sim, melhores com o tempo!

margaux
“Quando somos jovens, temos muito medo de nos expor, de falharmos, darmos mancada, pois nos importamos muito mais com a opinião alheia e com o que estão pensando de nós.
Assim, acabamos por viver em um mundo irreal no qual agradamos muito mais aos outros do que à nós mesmos.
Quando amadurecemos, passamos a ter a consciência de que não temos mais todo aquele tempo que pensávamos.
Então, arriscamos mais, ousamos mais e ligamos muito menos para o que pensam de nós.
Amadurecer é dar um grito de liberdade sem se preocupar se o barulho está incomodando alguém!

Regiane Avila

O vinho, por Sócrates, o filósofo

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“O vinho molha e tempera os espíritos e acalma as preocupações da mente
ele reaviva nossas alegrias e é o óleo para a chama da vida que se apaga.
Se você bebe moderadamente em pequenos goles de cada vez,
o vinho gotejará em seus pulmões como o mais doce orvalho da manhã.
Assim, então, o vinho não viola a razão, mas sim nos convida gentilmente a uma agradável alegria.”

Sócrates

Ode ao Vinho, Pablo Neruda

ode

Vinho cor do dia
vinho cor da noite
vinho com pés púrpura
o sangue de topázio
vinho,
estrelado filho
da terra
vinho, liso
como uma espada de ouro,
suave
como um desordenado veludo
vinho encaracolado
e suspenso,
amoroso, marinho
nunca coubeste em um copo,
em um canto, em um homem,
coral, gregário és,
e quando menos mútuo.

O vinho
move a primavera
cresce como uma planta de alegria
caem muros,
penhascos,
se fecham os abismos,
nasce o canto.
Oh tu, jarra de vinho, no deserto
com a saborosa que amo,
disse o velho poeta.
Que o cântaro do vinho
ao peso do amor some seu beijo.

Amo sobre uma mesa,
quando se fala,
à luz de uma garrafa
de inteligente vinho.
Que o bebam,
que recordem em cada
gota de ouro
ou copo de topázio
ou colher de púrpura
que trabalhou no outono
até encher de vinho as vasilhas
e aprenda o homem obscuro,
no cerimonial de seu negócio,
a recordar a terra e seus deveres,
a propagar o cântico do fruto.

Um pouco de poesia, Alcoólicas por Hilda Hilst

Eu amo vinho e vinho, para mim, é uma forma de poesia.
Me torna melhor, melhora o meu olhar, me envolve, seduz, inebria, para finalmente transbordar minhas emoções.

Aqui, uma poesia de uma mulher intensa, cheia de vida e paixão.
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ALCOÓLICAS, por Hilda Hilst.

É crua a vida. Alça de tripa e metal.
Nela despenco: pedra mórula ferida.
É crua e dura a vida. Como um naco de víbora.
Como-a no livor da língua
Tinta, lavo-te os antebraços, Vida, lavo-me
No estreito-pouco
Do meu corpo, lavo as vigas dos ossos, minha vida
Tua unha plúmbea, meu casaco rosso.
E perambulamos de coturno pela rua
Rubras, góticas, altas de corpo e copos.
A vida é crua. Faminta como o bico dos corvos.
E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima
Olho d’água, bebida. A Vida é líquida.
(Alcoólicas – I)

* * *

Também são cruas e duras as palavras e as caras
Antes de nos sentarmos à mesa, tu e eu, Vida
Diante do coruscante ouro da bebida. Aos poucos
Vão se fazendo remansos, lentilhas d’água, diamantes
Sobre os insultos do passado e do agora. Aos poucos
Somos duas senhoras, encharcadas de riso, rosadas
De um amora, um que entrevi no teu hálito, amigo
Quando me permitiste o paraíso. O sinistro das horas
Vai se fazendo tempo de conquista. Langor e sofrimento
Vão se fazendo olvido. Depois deitadas, a morte
É um rei que nos visita e nos cobre de mirra.
Sussurras: ah, a vida é líquida.
(Alcoólicas – II)

* * *

E bebendo, Vida, recusamos o sólido
O nodoso, a friez-armadilha
De algum rosto sóbrio, certa voz
Que se amplia, certo olhar que condena
O nosso olhar gasoso: então, bebendo?
E respondemos lassas lérias letícias
O lusco das lagartixas, o lustrino
Das quilhas, barcas, gaivotas, drenos
E afasta-se de nós o sólido de fechado cenho.
Rejubilam-se nossas coronárias. Rejubilo-me
Na noite navegada, e rio, rio, e remendo
Meu casaco rosso tecido de açucena.
Se dedutiva e líquida, a Vida é plena.
(Alcoólicas – IV)

* * *

Te amo, Vida, líquida esteira onde me deito
Romã baba alcaçuz, teu trançado rosado
Salpicado de negro, de doçuras e iras.
Te amo, Líquida, descendo escorrida
Pela víscera, e assim esquecendo
Fomes
País
O riso solto
A dentadura etérea
Bola
Miséria.
Bebendo, Vida, invento casa, comida
E um Mais que se agiganta, um Mais
Conquistando um fulcro potente na garganta
Um látego, uma chama, um canto. Amo-me.
Embriagada. Interdita. Ama-me. Sou menos
Quando não sou líquida.
(Alcoólicas – V)