Arquivo da tag: Vinho e Arte

Château Mouton Rothschild e a Arte

Poucas vinícolas tem uma ligação tão forte com a arte quanto o Château Mouton-Rothschild.
Caminhando pela propriedade, você encontrará uma das mais exclusivas coleções de arte do planeta; com obras de Miró, Picasso, Dalí, Chagall entre outros.

O Château Mouton-Rothschild é uma tradicional vinícola da região de Médoc, França, localizado na comuna de Pauillac que produz um dos mais prestigiados vinhos de Bordeaux e do mundo.

Mouton

Até 1924 o vinho produzido era vendido para os comerciantes em Bordeaux, que eram responsáveis por todo o restante do processo de produção: maturação, engarrafamento, rótulagem e comercialização. Essa era uma prática comum, e as vinícolas não tinham nenhum direito sobre o produto final.
Em 1924, o Barão Philippe de Rothschild tomou uma decisão revolucinária naquele tempo: ser responsável por todo o processo.
Nesse ano, o artista plástico Jean Carlu foi convidado a ilustrar o rótulo.

EMRothschild1924

A partir daí, o rótulo passou a ter uma importância maior e se tornou uma marca registrada do produto, a garantia de origem e qualidade, como uma assinatura da vinícola.

Em 1945, ano da Libertação da França _ fim da ocupação militar alemã _, Barão Philippe decidiu dedicar a safra, uma das melhores do século, ao Ano da Vitória, convidando o pintor Philippe Jullian para produzir um design para o rótulo, usando a letra “V”, de vitória.

1945

Após 1945, todos os anos, os rótulos são encomendados à artistas plásticos, que têm completa liberdade de criação. Alguns famosos: Miró, Chagall, Braque, Picasso, Tàpies, Francis Bacon, Dali, Balthus, Jeff Koons e até o Príncipe Charles, de Gales.

rotulos

Clique AQUI e veja os detalhes de cada rótulo

Mouton-Rothschild tem uma ligação tão intensa com a arte, que construiu o Museum of Wine in Art, um lugar mágico onde vários artistas e formas de arte, cultura e religiões testemunham o eterno e frutífero diálogo entre arte e vinho.
Situado em uma antiga sala de barricas, o visitante tem acesso à esculturas, peças medievais, porcelanas e antiguidades variadas, todas com alguma relação ao mundo do vinho.

Para saber mais, entre no site: http://www.chateau-mouton-rothschild.com/

Anúncios

As comidas e bebidas de “A Cidade do Sol”, de Tommaso Campanella

tommasoTommaso Campanella nasceu em 5 de setembro de 1568, em Stignano Italia.
Foi um filósofo renascentista, poeta e teólogo dominicano.
Uma de suas obras mais famosas “A Cidade do Sol”, descreve sua visão de uma cidade “ideal” imaginária, pautada no naturalismo e na integridade, onde os governantes agiam em sintonia perfeita e harmônica para o bem de todos.
O diálogo se passa entre o Grão Mestre da Ordem dos Hospitalários (G.M.) e um Almirante Genovês (ALM.).

Escolhi um pequeno trecho desse livro aonde ele conta como as pessoas se alimentam.
Sinceramente, gostaria de morar na Cidade do Sol.
É incrível pensar que um livro escrito em 1628 pode ser ainda tão atual.
Se quiserem ler, o livro está disponível na internet. Clique aqui para baixá-lo.

cittadelsole

(G.M.) – Coisa gratíssima me faria você falando dos alimentos e das bebidas, e como e quanto tempo vivem eles.

(ALM.) – Sua doutrina é que se deve, primeiro, prover à vida do todo e, depois, à das respectivas partes.
Por isso, ao construírem a cidade, trataram de ter propícias as quatro constelações de cada um dos quatro ângulos do mundo, as quais, como já se disse, se observam também na concepção de cada indivíduo, porque dizem que Deus atribuiu causas a todas as coisas, devendo o sábio conhecê-las, usá-las e não abusar delas.
Nutrem-se de carnes, manteiga, mel, queijo, tâmaras e legumes de diferentes espécies. Houve uma época em que não queriam matar os animais, parecendo-lhes isso uma ação bárbara, mas, ao
considerarem que também é crueldade extinguir plantas que gozam de sentido e vida própria, para não morrerem de fome, concluíram que as coisas ignóbeis foram criadas para beneficiar as mais nobres.
E é assim que, no presente, se alimentam de todos os animais,mas, na medida do possível, poupam os mais úteis, como os bois e os cavalos.
Fazem distinção entre alimentos sãos e nocivos, e, quanto à escolha, deixam-se dirigir pelo médico.
A alimentação é continuamente mudada por três vezes: primeiro, comem carne; depois, peixe; por fim, legumes.
Então, recomeçam com a carne, de forma que o hábito não enfraqueça as forças naturais.
Os alimentos de fácil digestão são dados aos velhos.
Estes comem três vezes ao dia e parcamente; duas vezes, a comunidade; e quatro, as crianças, segundo ordena o médico.
Em geral, vivem cem anos, sendo que não poucos também duzentos.
São de extrema temperança no que diz respeito às bebidas.
Os jovens menores de dezenove anos não bebem vinho, a não ser quando o requeiram razões de saúde.
Depois dessa idade, misturam-no com água.
Só aos cinqüenta anos é permitido bebê-lo puro.
As mesmas regras são válidas para as mulheres.
Os alimentos variam segundo as estações, seguindo-se sempre, a esse respeito, o conselho do protomédico.
Julgam que não são nocivos quando usados na estação em que Deus os produz e desde que não se abuse da quantidade.
Por isso, no verão, alimentam-se de frutas, porque são úmidas, suculentas e frias, em defesa da secura e do calor da estação; no inverno, comem alimentos secos; no outono, grande quantidade de uvas, concedidas pelo céu contra a bílis negra e a melancolia.
vinho frutas
Gostam muito de usar substâncias aromáticas.
De manhã, ao levantar-se, penteiam os cabelos e com água fria lavam as mãos e o rosto.
Depois, esfregam os dentes, ou mastigam hortelã, salsa ou erva-doce (os velhos, incenso).
Em seguida, voltando-se para o Oriente, recitam breve oração semelhante à ensinada por Jesus Cristo.
Depois, saem em vários grupos, pondo-se uns aos serviço dos velhos, outros entregando-se às funções públicas, etc.
Acompanham as lições, depois os exercícios corporais, depois ficam sentados em breve repouso e, por fim, vão jantar.
Escasso é, entre eles o número das moléstias.
Não conhecem a gota, a quiragra, a flatulência, pois essas enfermidades provêm do ócio ou da intemperança, ao passo que eles se livram, com a frugalidade e com o exercício, de toda superabundância de humores.
Consideram vergonhoso cuspir ou escarrar, dizendo que esse vício denota pouco exercício ou reprovável preguiça, ou resulta da devassidão ou da gulodice.
São, antes, sujeitos às inflamações e ao espasmo seco, em cujo tratamento empregam alimentos sãos e nutritivos.
Curam a tísica com banhos mornos, com laticínios, com a amenidade das habitações campestres, com moderado e agradável exercício.
A sífilis não pode fazer progressos, porque lavam assiduamente o corpo com vinho, untando-o com óleos aromáticos, de forma que o suor elimina o vapor fétido de que deriva a corrupção do sangue e da medula.
A tísica é rara, só muito poucas vezes sofrendo eles de catarros pulmonares, sendo que mal conhecem aquela espécie de asma que provém da densidade dos humores.
Curam as febres inflamatórias com beberagens de água fria, e as efêmeras com densos caldos aromáticos, ou com o sono, a música e a alegria.
dance