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A festa anual do vinho, uma fábula de Esopo

grape harvest 1890 - Padre Art
A Festa Anual do Vinho Na Itália, numa das aldeias das montanhas, os camponeses tinham o hábito de anualmente fazer da colheita uma festa.
Esta festa era esperada com muita ansiedade por todos, comemorada com tudo o que tinham direito na época e comentada ao longo do ano.
Para essa festa, cada morador da aldeia contribuía com uma garrafa de vinho de sua fabricação, e as despejavam num grande barril na praça central da aldeia.
O ponto alto da festa era a abertura desse barril, solenidade que atraia gente de todos os lugares que vinham degustar o famoso vinho, resultado do somatório de muitas garrafas de vinho selecionado.
Um dos moradores que há muitos anos participava do ritual pensou: “Por que vou levar meu melhor vinho? Vou levar é uma garrafa de água, e no meio de tanto vinho, ninguém perceberá…”
Quando chegou sua vez de despejar a garrafa de “vinho”, o fez de forma disfarçada para que os outros não percebessem.
No momento culminante da festa, quando da abertura do barril, todos estavam lá com suas canecas, prontos para saborear o famoso vinho.
Qual não foi a surpresa, na abertura da grande torneira, quando dela só saia água… – Eram litros e litros de pura água… – Porque todos os moradores tinham pensado a mesma coisa: –
“- Por que vou levar meu MELHOR vinho? – QUEM VAI SE DAR CONTA?”

Ilustração: Grape Harvest 1890, Padre Art

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As comidas e bebidas de “A Cidade do Sol”, de Tommaso Campanella

tommasoTommaso Campanella nasceu em 5 de setembro de 1568, em Stignano Italia.
Foi um filósofo renascentista, poeta e teólogo dominicano.
Uma de suas obras mais famosas “A Cidade do Sol”, descreve sua visão de uma cidade “ideal” imaginária, pautada no naturalismo e na integridade, onde os governantes agiam em sintonia perfeita e harmônica para o bem de todos.
O diálogo se passa entre o Grão Mestre da Ordem dos Hospitalários (G.M.) e um Almirante Genovês (ALM.).

Escolhi um pequeno trecho desse livro aonde ele conta como as pessoas se alimentam.
Sinceramente, gostaria de morar na Cidade do Sol.
É incrível pensar que um livro escrito em 1628 pode ser ainda tão atual.
Se quiserem ler, o livro está disponível na internet. Clique aqui para baixá-lo.

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(G.M.) – Coisa gratíssima me faria você falando dos alimentos e das bebidas, e como e quanto tempo vivem eles.

(ALM.) – Sua doutrina é que se deve, primeiro, prover à vida do todo e, depois, à das respectivas partes.
Por isso, ao construírem a cidade, trataram de ter propícias as quatro constelações de cada um dos quatro ângulos do mundo, as quais, como já se disse, se observam também na concepção de cada indivíduo, porque dizem que Deus atribuiu causas a todas as coisas, devendo o sábio conhecê-las, usá-las e não abusar delas.
Nutrem-se de carnes, manteiga, mel, queijo, tâmaras e legumes de diferentes espécies. Houve uma época em que não queriam matar os animais, parecendo-lhes isso uma ação bárbara, mas, ao
considerarem que também é crueldade extinguir plantas que gozam de sentido e vida própria, para não morrerem de fome, concluíram que as coisas ignóbeis foram criadas para beneficiar as mais nobres.
E é assim que, no presente, se alimentam de todos os animais,mas, na medida do possível, poupam os mais úteis, como os bois e os cavalos.
Fazem distinção entre alimentos sãos e nocivos, e, quanto à escolha, deixam-se dirigir pelo médico.
A alimentação é continuamente mudada por três vezes: primeiro, comem carne; depois, peixe; por fim, legumes.
Então, recomeçam com a carne, de forma que o hábito não enfraqueça as forças naturais.
Os alimentos de fácil digestão são dados aos velhos.
Estes comem três vezes ao dia e parcamente; duas vezes, a comunidade; e quatro, as crianças, segundo ordena o médico.
Em geral, vivem cem anos, sendo que não poucos também duzentos.
São de extrema temperança no que diz respeito às bebidas.
Os jovens menores de dezenove anos não bebem vinho, a não ser quando o requeiram razões de saúde.
Depois dessa idade, misturam-no com água.
Só aos cinqüenta anos é permitido bebê-lo puro.
As mesmas regras são válidas para as mulheres.
Os alimentos variam segundo as estações, seguindo-se sempre, a esse respeito, o conselho do protomédico.
Julgam que não são nocivos quando usados na estação em que Deus os produz e desde que não se abuse da quantidade.
Por isso, no verão, alimentam-se de frutas, porque são úmidas, suculentas e frias, em defesa da secura e do calor da estação; no inverno, comem alimentos secos; no outono, grande quantidade de uvas, concedidas pelo céu contra a bílis negra e a melancolia.
vinho frutas
Gostam muito de usar substâncias aromáticas.
De manhã, ao levantar-se, penteiam os cabelos e com água fria lavam as mãos e o rosto.
Depois, esfregam os dentes, ou mastigam hortelã, salsa ou erva-doce (os velhos, incenso).
Em seguida, voltando-se para o Oriente, recitam breve oração semelhante à ensinada por Jesus Cristo.
Depois, saem em vários grupos, pondo-se uns aos serviço dos velhos, outros entregando-se às funções públicas, etc.
Acompanham as lições, depois os exercícios corporais, depois ficam sentados em breve repouso e, por fim, vão jantar.
Escasso é, entre eles o número das moléstias.
Não conhecem a gota, a quiragra, a flatulência, pois essas enfermidades provêm do ócio ou da intemperança, ao passo que eles se livram, com a frugalidade e com o exercício, de toda superabundância de humores.
Consideram vergonhoso cuspir ou escarrar, dizendo que esse vício denota pouco exercício ou reprovável preguiça, ou resulta da devassidão ou da gulodice.
São, antes, sujeitos às inflamações e ao espasmo seco, em cujo tratamento empregam alimentos sãos e nutritivos.
Curam a tísica com banhos mornos, com laticínios, com a amenidade das habitações campestres, com moderado e agradável exercício.
A sífilis não pode fazer progressos, porque lavam assiduamente o corpo com vinho, untando-o com óleos aromáticos, de forma que o suor elimina o vapor fétido de que deriva a corrupção do sangue e da medula.
A tísica é rara, só muito poucas vezes sofrendo eles de catarros pulmonares, sendo que mal conhecem aquela espécie de asma que provém da densidade dos humores.
Curam as febres inflamatórias com beberagens de água fria, e as efêmeras com densos caldos aromáticos, ou com o sono, a música e a alegria.
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O vinho, por Sócrates, o filósofo

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“O vinho molha e tempera os espíritos e acalma as preocupações da mente
ele reaviva nossas alegrias e é o óleo para a chama da vida que se apaga.
Se você bebe moderadamente em pequenos goles de cada vez,
o vinho gotejará em seus pulmões como o mais doce orvalho da manhã.
Assim, então, o vinho não viola a razão, mas sim nos convida gentilmente a uma agradável alegria.”

Sócrates